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Produzir na China ainda vale a pena? Um olhar estratégico sobre custo, qualidade e risco

  • By Grupo Gama
  • 23 de janeiro de 2026
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Por Ferdnan Gama (advisor em governança e expansão de negócios)

A pergunta não é “China sim ou não?”.
A pergunta certa é: qual arquitetura de decisão protege a margem, preserva a qualidade e reduz risco — sem comprometer o crescimento?

Nos últimos anos, a China deixou de ser sinônimo de “baixo custo com baixa qualidade”. Hoje, você encontra desde produtos de especificação básica até soluções de alto desempenho técnico — e isso muda completamente a conversa.

A seguir, vou te mostrar como avaliar essa decisão com maturidade: custo real, velocidade, qualidade, riscos e alternativas.

1) O que mudou na China: qualidade virou padrão — e velocidade virou vantagem

Quem ainda decide com base em preconceito (“produto chinês é ruim”) está atrasado.
A realidade é que o mercado chinês evoluiu: mais tecnologia, mais capacidade industrial e mais aderência a especificações.

E existe um diferencial silencioso que pesa no caixa: velocidade.

Velocidade de cotar, ajustar, prototipar, produzir e despachar. Em mercados competitivos, isso encurta o tempo entre ideia e faturamento.

Pergunta-chave: seu negócio precisa mais de custo baixo… ou de time-to-market?

2) O maior erro: comparar só preço — e ignorar o Total Landed Cost

A decisão não pode ser “o fornecedor me deu 18% mais barato”.
Tem que ser “o projeto me entrega mais margem no custo total, com risco controlado”.

Aqui entra o conceito que eu mais uso em governança operacional:

Total Landed Cost (TLC)

Inclui:

  • custo do produto
  • frete e seguro
  • impostos e desembaraço
  • inspeções e auditorias
  • custo de retrabalho/devolução
  • capital em trânsito (dinheiro parado no mar)
  • ruptura (quanto custa ficar sem?)

Se você não mede isso, você não decide — você aposta.

3) O “pulo do gato”: governança de fornecedor (sem isso, China vira problema)

Produzir na China funciona muito bem quando existe sistema. Sem sistema, vira risco.

Checklist mínimo de governança:

  • Especificação inegociável (tolerâncias, materiais, testes, performance)
  • Amostras e aprovação formal (com rastreabilidade)
  • Inspeção antes do embarque
  • Contrato com SLA e penalidades
  • Plano de contingência (dual sourcing / China+1)

China não é “terra sem lei”. Mas exige método.

4) E o Brasil? Incentivo fiscal não pode ser estratégia

Muita empresa toma decisões industriais por “benefício fiscal”.
Isso é perigoso porque o cenário tributário passa por transições e reequilíbrios ao longo do tempo, o que reduz previsibilidade quando a escolha depende só de incentivo.

A decisão saudável se sustenta em:

  • produtividade
  • performance
  • previsibilidade
  • capacidade de atender cliente melhor

5) Alternativas que entram no radar: China+1 e maquila no Paraguai

China+1: o modelo mais comum no mundo

Você mantém parte na China, mas abre um segundo polo para reduzir dependência e criar resiliência.

Paraguai (maquila): eficiência tributária e industrial para exportação

O regime de maquila é citado como alternativa por conta de seu desenho pró-exportação e estrutura tributária específica sobre valor agregado.

Não é “melhor ou pior”. É qual se encaixa na sua categoria, rota e nível de risco aceito.

6) Então… produzir na China vale a pena?

Vale, quando:

  • sua empresa precisa de escala, velocidade e competitividade
  • você calcula o custo total (não só o preço)
  • você tem governança de qualidade e contrato
  • você estrutura resiliência (China+1 / dual sourcing)
  • você decide por performance — não por moda ou impulso

A China é um motor.
Mas motor sem painel, sem freio e sem manutenção… vira acidente.